terça-feira, 28 de outubro de 2008

A Felicidade

Andava pelas ruas com um sorriso estampado no rosto. Com seu tênis amarelo, suas calças largas e sempre numa camiseta básica. Carlos vestia-se assim, alternando somente a cor da camiseta. Ora cor escura, ora cor clara. Mas a cor preta prevalecia. Mas hoje estava diferente. Calçava um chinelo, uma bermuda um pouco acima do joelho e uma regata na cor branca que marcava seus músculos. E além disso, portava um sorriso largo. Ninguém nunca vira carlos com tantos risos e sorrisos. Sempre fora um rapaz de pouco assunto. Uns diriam que era sem educação, outros que era um rapaz fechado e tinha até quem duvidasse de sua sexualiadade.
Carlos descia a rua. Todos estranharam. Era bom dia pra lá, bom dia pra cá.
-Tá feliz né, Carlos! Teu tima ganhou ontem - Perguntavam
- Ganhou? de quem? - Respondia com alegria.
Não era por causa do time.
- Vai ter cerveja no final de semana?
- Devo sair sim.
- Ah, claro. Recebeu aumento.
- Só se for aumento de carga horária.
Também não era aumento.
E as perguntas continuavam.
- Mudou de emprego?
- Vai casar?
- Descobriu a mulher de sua vida?
- Descobriu o homem de sua vida?
- Ganhou na mega-sena?
- Seu pai ganhou?
- Encontrou Jesus?
Não! Não era nada disso.
Todos queriam saber do motivo do grande sorriso no rosto do rapaz mais antipático da rua. Há quem diga que seja o mais antipático do bairro e alguns exagerados dizem que é do Estado. Não chega a tanto, talvez esteja entre os 10 mais. No trabalho foram as mesmas perguntas e nada. Nada diferente na vida de Carlos.
Sua namorada estranhou. Sua sogra, seu sogro, cunhada, cachorro. Todos estavam intrigados para saber o que aconteceu.
- Descobriu que sou o amor da sua vida? - perguntou sua namorada
- Isso eu já sabia.
- O que houve? tem alguém na rua?
- Claro que não! Isso só me traria dor de cabeça. - disse sem tirar o sorriso do rosto.
- o que é então? - insistiu sua namorada.
- Nada, menina. Nada.
Mesmo sorridente, Carlos continuava fechado.
O dia passou e na manhã seguinte Carlos voltara a ser o menino mais antipático da rua.

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