quarta-feira, 24 de março de 2010

A primeira vez que vim São Paulo

De tão grande nem me viu
de tão rápida me deixou passar
Eu que sempre te quis, que nunca te vivi.
Quem dera oferecesse uma vaga pra meu amor.
À primeira vista! Foi assim
Nunca te esqueço
Não me disse bem-vindo,
nem me disse adeus
Era frio, é mais adiante
era concreto, era nublado
d'um cinza apaixonante
Era São Paulo

Da primeira vez que vi São Paulo

Quem nunca me estendeu a mão quando precisei
nunca me disse bem-vindo, tampouco disse adeus
Me encantam seus pilares, a torres de concreto
A selva de pedra
Tão cinza no céu,
o colorido das meninas.
Passeava enquanto todos corriam
Era frio, era triste, é mais adiante
era concreto, era nublado, era cinza apaixonante...
Era São Paulo

quinta-feira, 4 de março de 2010

Caixa de metal

Tinha acabado de entrar no prédio para mais um dia de trabalho. Não me sentia muito confortável em andar de elevador. Trabalhava no 36º andar. Era muito tempo dentro daquela caixa de metal que subia e descia a todo momento sem interrupções. Mas nunca me importei tanto, afinal de contas precisava trabalhar e arrumar outro emprego estava cada vez mais difícil. “Tudo tem seu tempo certo”, minha mãe dizia. E não demorou muito para meu tempo chegar. Nesse dia, tinha dormido mal, não sei o motivo e por ter tido uma noite ruim minha manhã foi igualmente ruim. Sentia um incomôdo, um mal estar que não sabia de onde vinha. Cheguei à porta do elevador. Naquele momento, meu corpo ficou mais estranho, uma súbita dor de cabeça me consumiu, minhas mãos tremiam, mas não a ponto de deixar de entrar no elevador. Entrei. A porta se fechou e em um momento muito estranho comecei a procurar saídas de emergência. Só encontrei um butão no quadro de botões dos andares. Aquele tremor foi aumentando, a dor de cabeça crescendo, meu coração parecia que ia saltar do peito. Trabalhava num prédio em que os elevadores eram divididos. Um até o 12º andar e outro que sua primeira parada era o 12º. O meu era o segundo. O tempo de viagem do primeiro andar até o 12º pareceu ter sido uma eternidade. A vista foi ficando turva, minha garganta secou e meu coração não parava de bater mais forte. Todos olhavam espantados para meu rosto. O elevador fez sua primeira parada. No 12º andar. Desci correndo. Parei, meu corpo começava a relaxar. Meu coração começou a bater menos, minha garganta tinha voltado a ficar úmida, minhas mãos ainda tremiam, mas não tanto quanto antes. Estava livre daquela maldita caixa. Parei, olhei para os lados e novamente fiquei a procurar uma saída. Não achei. Somente escadas. E agora como saio daqui? Tento novamente o elevador? Tento descer pela escada? E se passei mal por conta do coração, como vou de escada? Posso morrer. E se eu passar mal outra vez, como vou sair dali, e se ninguém aparecer para me socorrer? Meu deus! Meu coração voltou a bater mais forte, não conseguia segurar o cigarro, o mesmo cigarro que sempre maldizia-o. Aquilo ainda ia me matar. Não sei se passei mal do coração. E se passei, será que foi culpa do cigarro? Não tinha tempo de pensar naquilo. Precisava falar com alguém. Precisava relaxar, ocupar a mente. Onde está meu celular? Droga, perdi faz uns 6 meses e nunca quis comprar outro. Sabia que essa geringonça ainda faria falta. E agora? Ninguém nesse andar. Como faço? Como vou sair daqui? O elevador parou descendo, olhei, olhei e não tive coragem de entrar. Queria ter gritado para alguém me socorrer. Será que me achariam louco? Vergonha. O elevador fechou as portas e por um momento senti um alívio. E se eu entrasse e o elevador falhasse? Como seria? Já estava mal e pior ficaria preso na maldita caixa de aço. Não estava aguentando mais. Desci pelas escadas. Doze andaras e sabe se lá quantos degraus tive que descer e controlando meu coração e sem conseguir segurar no corrimão. Minhas mãos termiam. Enfim cheguei no térreo. Corri para o balcão de entrada e encontrei um lugar para sentar. Sentei e aos poucos fui relaxando. Pedi para o porteiro comprar uma água para mim, ele ainda esboçou um principio de pergunta, mas cortei-o e pedi urgência. Bebi a água como se fosse o mais gelados do liquidos quando se está no deserto. Nunca estive num deserto, mas posso imaginar como é. Ou não posso? Não sei, não tinha tempo para imaginar nada. Queria sair dali, queria melhorar. Saí do prédio e peguei meu ônibus. Ônibus de ar-condicionado. Tudo fechado, todo fechado e cheio. Meu coração voltou a bater mais forte...

A comida de terça-Feira


- Em casa! Graças a Deus!- Exclamei em voz alta. Tinha acabado de chegar do trabalho. Era uma terça-feira, dia da semana em que não se faz nada, mas especialmente nessa terça, saí para tomar um chope, não, chope não, saí para tomar uma cerveja. Cerveja é o tipo de bebida social, todos têm que concordar com a marca a ser bebida, com uma garrafa se enche três ou quatro copos e por aí vai. Mas voltando a vaca fria, nessa terça-feira saí pra tomar uma cerveja com os colegas do trabalho. Tomamos umas seis cervejas, nada muito exorbitante, afinal de contas ainda é terça-feira. Saí do bar e rumei para casa, estava com uma fome imensa e no trajeto já estava pensando no que fazer para comer. Não queria nada muito complicado. Pensei em omelete, mas por acaso não tinha ovos em casa. Depois pensei num bife à milanesa com farofa de banana e bananas fritinhas.

- Olha o ovo! Eu não tenho ovo - Droga de ovo, porque diabos não tinha ovo em casa?

Então desisti de pensar em comida. Resolvi chegar em casa, tomar um banho e depois pensar na minha alimentação. E foi assim que cheguei no meu lar, doce lar. Larguei minha mochila no sofá já cheio de roupas jogadas. Tirei meus sapatos e os coloquei embaixo da cama, (todos os meus sapatos ficam embaixo da cama, acho que é vício que adquiri na infância). Peguei minha toalha e fui tomar banho. Enquanto me ensaboava, cantava músicas. Estava feliz naquela noite, acho que era culpa de cerveja e enquanto fazia minha higiene pessoal, meu estomago roncava. De fome, de dor, de raiva... Acho que ele me xingava tanto... Depois do banho, corri para cozinha para preparar meu prato especial da noite. Abri os armários, a geladeira, o fogão e nada de conseguir pensar em algo pra comer. Até a máquina de lavar eu abri. Sei lá, vai que ela me dá uma luz. A situação não era tão desesperadora assim, ainda tinha arroz e feijão temperados. Minha mãe tinha feito isso por mim no último final de semana.

- Bendita mãezinha que nunca se esquece do filhinho sozinho - Dizia isso parecendo que ela estava ali comigo, mas se estivesse, com certeza eu já teria comido alguma coisa e meu estômago já estaria mais calmo e teria parado de me xingar. Voltei à minha cruzada em busca da comida perdida. Meu pai do céu, cozinhar sem todos os elementos necessários é uma tarefa pra mãe mesmo, só elas conseguem essa façanha, a façanha de fazer qualquer coisa virar uma comida agradável. Minha mãe sempre se virou muito bem na cozinha. Já teve época de não ter nada na geladeira e ela conseguir fazer milagres e todo mundo comer bem. Mas eu não sou minha mãe e nem poderia ser, afinal de contas eu sou homem e não tem como uma pessoa do sexo masculino ser mãe dela mesmo. Ou tem? AH! Essa fome me tirou a lucidez. Enfim desisti de tentar comer alguma coisa nesta bendita terça-feira. E contrariando meu estômago, fiz um achocolatado, um pão na chapa com manteiga, queijo e presunto. Na verdade fiz dois pães. Sentei no sofá, liguei a televisão e devorei aqueles pães e aquele achocolatado como se fossem as maiores maravilhas do mundo. Não era, mas enganei meu estômago. Olhei na direção do dele e soltei:

- Te juro que amanhã você receberá em dobro. Não fique triste.-

Peguei um papel e uma caneta e escrevi um bilhete: “Não posso esquecer de comprar ovos amanhã. Não posso, não posso e não posso”.Joguei o bilhete no sofá e fui dormir em minha cama.

Sábado à noite

Ainda são 20:00. Reviro-me na cama, ando pelo quarto, vou ao banheiro, fumo cigarros, bebo água, como e nada faz o tempo passar. Enfim decido sair de casa.

- Mas com quem?- Logo me vem a pergunta à cabeça.

Faço algumas ligações. Alguns não atendem, outros estão sem dinheiro, uns moram longe e outros vão acordar cedo.

- Vou sair sozinho.- dou um ponto final à minha decisão.

Desço a rua e pego um ônibus. Em 15 minutos estou em uma pracinha lotada de bares e pessoas nas calçadas. Alguns bares com música ao vivo e poucos lugares para sentar.

Õ dificuldade para decidir onde sentar.

Sento-me em um bar com música ao vivo, já que estou sozinho, pelo menos canto as músicas para me distrair um pouco. E no pequeno palco que fica localizado no meio da calçada, toca o violão suave, uma mulher morena de voz grave.

Porque é tão difícil conseguir um garçom nessas horas? Ele passa pela minha mesa umas 10 vezes e apesar de chamá-lo todas as 10 vezes, ele sequer olha pra mim, será que é pelo fato de estar sozinho em uma mesa? Sei lá, vai ver é o grande movimento do bar esta noite. Já tinha desistido de chamar o garçom pra pedir uma cerveja, quando de repente me aparece ele, com uma cerveja e um copo nas mãos. Ele abre a cerveja, despeja em meu copo e me pergunta se desejo mais alguma coisa. Olho para a cerveja, não é a marca que gosto, chego a pensar em pedir pra trocar, mas tenho medo de só conseguir beber minha marca de cerveja predileta quando estiver quase dormindo na mesa.

- Não obrigado. Por enquanto é só.- respondo para o garçom.

Dou o primeiro gole e acendo um cigarro para acompanhar. Observo as pessoas sentadas ao meu redor. Não reconheço um rosto sequer. Sinto-me um estranho naquele lugar. Como se fosse um ET. Nesse momento, me vem a vontade de voltar pra casa, mas resisto, tomo outro gole e torno a encher meu copo. Nesses dias de calor infernal, um copo de cerveja vai embora em apenas dois goles.

A cantora então faz uma pausa em sua cantoria.

- Mas já?- penso sem pensar na possibilidade de ela estar tocando ali pelo menos umas 2 horas direto.

E agora, o que vou fazer? Só me resta tomar mais um copo de cerveja, acender outro cigarro e voltar a observar as pessoas ao meu redor, tentando em vão achar um rosto conhecido. Acho que todos meus conhecidos foram para um churrasco juntos e não me chamaram.

20 minutos e alguns goles mais tarde, a morena volta a cantar e sua primeira música pós-pausa é uma daquela música-tema de suicídio, mas essa música não me toca. Estou bem. Sozinho, confesso, porém, bem comigo e com o mundo.

Ouço meu nome.

- Fulaninho?- Olho para todos os lados e não reconheço ninguém.

Volto a fitar a cantora. De repente um maço vazio de cigarro colide com o meu rosto. Tomo um susto, fico puto e solto:

- Porra! Quem foi o filho da puta?- falo baixo, mas o suficiente para ser ouvido a umas três mesas ao meu redor.

- Filho da puta não, filha da puta!- Era uma amiga minha que não via faz tempo.

Levantei, fui à mesa dela, que estava com mais quatro pessoas. Abracei-a, beijei-a e fico conversando, eu de pé e ela sentada. Ela então teve dó de mim e me convidou para sentar com eles. Paguei a cerveja que tinha pegado e me transferi para mesa dela. Ficamos relembrando os tempos de adolescentes, tempos de descobertas. Tempos de 2º grau. E assim ficamos até umas 4:30. Parecia que só havia nós dois na mesa, no bar e no mundo. Hora de ir embora. Peguei meu ônibus de volta para casa, deitei na cama e apaguei com um sorriso de felicidade que não tinha há muito tempo


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Na nossa casa

Quando anoiteceu
Nenhuma luz na nossa casa se acendeu
Aonde você estava?
Aonde estava eu?

Se tudo parecia nada, ainda assim
O nada era mais do que o que você deixou
No fim

Quando aconteceu
Quando algo em que a gente acreditava
Se perdeu
Por onde você andava?
Por que não me socorreu?

Não é o fim do mundo
É só o fim de tudo que fomos nós
Sem flutuar e sem tocar o fundo sempre sós


(Paralamas do Sucesso)



segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Para Márcio e Daniela (qualquer homenagem, mas não uma homenagem qualquer)

De minas vieram,
Ele de Belo horizonte e ela de outra cidade
De cinema eles me falam,
ele com os olhos cheios d'água e ela também
Pelo amor à amizade,
ele me faz chorar e ela também
Ele tem me acompanhado durante toda a semana e
ela já nem tanto
Do meu amor,
ele o tem desde meus 14 anos e ela o descobriu agora
Ele me diz que os sonhos não envelhecem e
ela me mostra que os sonhos tornam-se reais

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Vida pra levar, levar e nada mais...

Achar que a vida é simples é sinônimo de acomodação ou apenas saber viver a vida?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

É o que sempre digo

Leave Before The Lights Come On

Arctic Monkeys

Well this is a good idea,
He wouldn't do it if it wasn't,
He wouldn't do it if it wasn't one.
Well my friend fancies you,
Oh what a way to begin it all,
You said they're always exciting words to hear

And they woke up together not quite realising how,
Akwardly stretching and yawning,
Its always hard in the morning,

And I suppose that's the price you pay,
Oh it isn't what it was,
She's thinking he looks different today,
And oh there's nothing left to guess now,

They left before the lights come on,
Because they didn't want to ruin,
What it was that was brewing,
Before they absolutely had to,
And how can you wake up,
With someone you don't love?
And not feel slightly fazed by it,
Oh, he had a struggle,

And they woke up together not quite realising how,
Oh but he's stretching and yawning,
It's always hard in the morning,

And I suppose that's the price you pay,
Oh it isn't what it was,
She's thinking he looks different today,
And oh there's nothing left to guess now,

Quick, let's leave, before the lights come on,
'Cos then you don't have to see,
'Cos then you don't have to see,
What you've done

Quick, let's leave, before the lights come on,
'Cos then you don't have to see,
'Cos then you don't have to see,
What you've done

Until tomorrow!

I'll walk you up, what time's the bus come?
I'll walk you up, what time's the bus come?
I'll walk you up, what time's the bus come?
I'll walk you up, what time's the bus come?


Para assistir:
http://www.youtube.com/watch?v=SEukS2YN9B8

domingo, 27 de dezembro de 2009

Chuva de lágrimas

Chove forte aqui no Rio. Enquanto caminho para chegar ao trabalho, a chuva não descansa e me deixa encharcado. Aproveito esse momento para chorar. Caminhar pelas ruas de Botafogo traz pequenas lembranças alegres, mas que nesse momento me deixa triste. Não sei se é injustiça da vida me deixar tanto tempo longe de alguém que passei apenas quase um ano ou se é injustiça minha querer que ela estivesse aqui. Não há dúvida que esse tempo longe nos fará bem, mas a próposito: Que bem é esse? Acredita em destino? Eu não, então o que for mudar será errado, pelo menos para mim. Tenho medo. Medo das mudanças e principalmente medo das mudanças para pior. Afinal, pior para quem? Nada vai mudar e se mudar será para melhor. Melhor para os dois, para os dois juntos. Aguardo. Me borrando de medo, mas aguardo. A chuva não pára de cair e eu não me canso de chorar.