quinta-feira, 4 de março de 2010

A comida de terça-Feira


- Em casa! Graças a Deus!- Exclamei em voz alta. Tinha acabado de chegar do trabalho. Era uma terça-feira, dia da semana em que não se faz nada, mas especialmente nessa terça, saí para tomar um chope, não, chope não, saí para tomar uma cerveja. Cerveja é o tipo de bebida social, todos têm que concordar com a marca a ser bebida, com uma garrafa se enche três ou quatro copos e por aí vai. Mas voltando a vaca fria, nessa terça-feira saí pra tomar uma cerveja com os colegas do trabalho. Tomamos umas seis cervejas, nada muito exorbitante, afinal de contas ainda é terça-feira. Saí do bar e rumei para casa, estava com uma fome imensa e no trajeto já estava pensando no que fazer para comer. Não queria nada muito complicado. Pensei em omelete, mas por acaso não tinha ovos em casa. Depois pensei num bife à milanesa com farofa de banana e bananas fritinhas.

- Olha o ovo! Eu não tenho ovo - Droga de ovo, porque diabos não tinha ovo em casa?

Então desisti de pensar em comida. Resolvi chegar em casa, tomar um banho e depois pensar na minha alimentação. E foi assim que cheguei no meu lar, doce lar. Larguei minha mochila no sofá já cheio de roupas jogadas. Tirei meus sapatos e os coloquei embaixo da cama, (todos os meus sapatos ficam embaixo da cama, acho que é vício que adquiri na infância). Peguei minha toalha e fui tomar banho. Enquanto me ensaboava, cantava músicas. Estava feliz naquela noite, acho que era culpa de cerveja e enquanto fazia minha higiene pessoal, meu estomago roncava. De fome, de dor, de raiva... Acho que ele me xingava tanto... Depois do banho, corri para cozinha para preparar meu prato especial da noite. Abri os armários, a geladeira, o fogão e nada de conseguir pensar em algo pra comer. Até a máquina de lavar eu abri. Sei lá, vai que ela me dá uma luz. A situação não era tão desesperadora assim, ainda tinha arroz e feijão temperados. Minha mãe tinha feito isso por mim no último final de semana.

- Bendita mãezinha que nunca se esquece do filhinho sozinho - Dizia isso parecendo que ela estava ali comigo, mas se estivesse, com certeza eu já teria comido alguma coisa e meu estômago já estaria mais calmo e teria parado de me xingar. Voltei à minha cruzada em busca da comida perdida. Meu pai do céu, cozinhar sem todos os elementos necessários é uma tarefa pra mãe mesmo, só elas conseguem essa façanha, a façanha de fazer qualquer coisa virar uma comida agradável. Minha mãe sempre se virou muito bem na cozinha. Já teve época de não ter nada na geladeira e ela conseguir fazer milagres e todo mundo comer bem. Mas eu não sou minha mãe e nem poderia ser, afinal de contas eu sou homem e não tem como uma pessoa do sexo masculino ser mãe dela mesmo. Ou tem? AH! Essa fome me tirou a lucidez. Enfim desisti de tentar comer alguma coisa nesta bendita terça-feira. E contrariando meu estômago, fiz um achocolatado, um pão na chapa com manteiga, queijo e presunto. Na verdade fiz dois pães. Sentei no sofá, liguei a televisão e devorei aqueles pães e aquele achocolatado como se fossem as maiores maravilhas do mundo. Não era, mas enganei meu estômago. Olhei na direção do dele e soltei:

- Te juro que amanhã você receberá em dobro. Não fique triste.-

Peguei um papel e uma caneta e escrevi um bilhete: “Não posso esquecer de comprar ovos amanhã. Não posso, não posso e não posso”.Joguei o bilhete no sofá e fui dormir em minha cama.

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