- Em casa! Graças a Deus!- Exclamei em voz alta. Tinha acabado de chegar do trabalho. Era uma terça-feira, dia da semana em que não se faz nada, mas especialmente nessa terça, saí para tomar um chope, não, chope não, saí para tomar uma cerveja. Cerveja é o tipo de bebida social, todos têm que concordar com a marca a ser bebida, com uma garrafa se enche três ou quatro copos e por aí vai. Mas voltando a vaca fria, nessa terça-feira saí pra tomar uma cerveja com os colegas do trabalho. Tomamos umas seis cervejas, nada muito exorbitante, afinal de contas ainda é terça-feira. Saí do bar e rumei para casa, estava com uma fome imensa e no trajeto já estava pensando no que fazer para comer. Não queria nada muito complicado. Pensei em omelete, mas por acaso não tinha ovos
- Olha o ovo! Eu não tenho ovo - Droga de ovo, porque diabos não tinha ovo em casa?
Então desisti de pensar
- Bendita mãezinha que nunca se esquece do filhinho sozinho - Dizia isso parecendo que ela estava ali comigo, mas se estivesse, com certeza eu já teria comido alguma coisa e meu estômago já estaria mais calmo e teria parado de me xingar. Voltei à minha cruzada em busca da comida perdida. Meu pai do céu, cozinhar sem todos os elementos necessários é uma tarefa pra mãe mesmo, só elas conseguem essa façanha, a façanha de fazer qualquer coisa virar uma comida agradável. Minha mãe sempre se virou muito bem na cozinha. Já teve época de não ter nada na geladeira e ela conseguir fazer milagres e todo mundo comer bem. Mas eu não sou minha mãe e nem poderia ser, afinal de contas eu sou homem e não tem como uma pessoa do sexo masculino ser mãe dela mesmo. Ou tem? AH! Essa fome me tirou a lucidez. Enfim desisti de tentar comer alguma coisa nesta bendita terça-feira. E contrariando meu estômago, fiz um achocolatado, um pão na chapa com manteiga, queijo e presunto. Na verdade fiz dois pães. Sentei no sofá, liguei a televisão e devorei aqueles pães e aquele achocolatado como se fossem as maiores maravilhas do mundo. Não era, mas enganei meu estômago. Olhei na direção do dele e soltei:
- Te juro que amanhã você receberá em dobro. Não fique triste.-
Peguei um papel e uma caneta e escrevi um bilhete: “Não posso esquecer de comprar ovos amanhã. Não posso, não posso e não posso”.Joguei o bilhete no sofá e fui dormir em minha cama.

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