quinta-feira, 4 de março de 2010

Caixa de metal

Tinha acabado de entrar no prédio para mais um dia de trabalho. Não me sentia muito confortável em andar de elevador. Trabalhava no 36º andar. Era muito tempo dentro daquela caixa de metal que subia e descia a todo momento sem interrupções. Mas nunca me importei tanto, afinal de contas precisava trabalhar e arrumar outro emprego estava cada vez mais difícil. “Tudo tem seu tempo certo”, minha mãe dizia. E não demorou muito para meu tempo chegar. Nesse dia, tinha dormido mal, não sei o motivo e por ter tido uma noite ruim minha manhã foi igualmente ruim. Sentia um incomôdo, um mal estar que não sabia de onde vinha. Cheguei à porta do elevador. Naquele momento, meu corpo ficou mais estranho, uma súbita dor de cabeça me consumiu, minhas mãos tremiam, mas não a ponto de deixar de entrar no elevador. Entrei. A porta se fechou e em um momento muito estranho comecei a procurar saídas de emergência. Só encontrei um butão no quadro de botões dos andares. Aquele tremor foi aumentando, a dor de cabeça crescendo, meu coração parecia que ia saltar do peito. Trabalhava num prédio em que os elevadores eram divididos. Um até o 12º andar e outro que sua primeira parada era o 12º. O meu era o segundo. O tempo de viagem do primeiro andar até o 12º pareceu ter sido uma eternidade. A vista foi ficando turva, minha garganta secou e meu coração não parava de bater mais forte. Todos olhavam espantados para meu rosto. O elevador fez sua primeira parada. No 12º andar. Desci correndo. Parei, meu corpo começava a relaxar. Meu coração começou a bater menos, minha garganta tinha voltado a ficar úmida, minhas mãos ainda tremiam, mas não tanto quanto antes. Estava livre daquela maldita caixa. Parei, olhei para os lados e novamente fiquei a procurar uma saída. Não achei. Somente escadas. E agora como saio daqui? Tento novamente o elevador? Tento descer pela escada? E se passei mal por conta do coração, como vou de escada? Posso morrer. E se eu passar mal outra vez, como vou sair dali, e se ninguém aparecer para me socorrer? Meu deus! Meu coração voltou a bater mais forte, não conseguia segurar o cigarro, o mesmo cigarro que sempre maldizia-o. Aquilo ainda ia me matar. Não sei se passei mal do coração. E se passei, será que foi culpa do cigarro? Não tinha tempo de pensar naquilo. Precisava falar com alguém. Precisava relaxar, ocupar a mente. Onde está meu celular? Droga, perdi faz uns 6 meses e nunca quis comprar outro. Sabia que essa geringonça ainda faria falta. E agora? Ninguém nesse andar. Como faço? Como vou sair daqui? O elevador parou descendo, olhei, olhei e não tive coragem de entrar. Queria ter gritado para alguém me socorrer. Será que me achariam louco? Vergonha. O elevador fechou as portas e por um momento senti um alívio. E se eu entrasse e o elevador falhasse? Como seria? Já estava mal e pior ficaria preso na maldita caixa de aço. Não estava aguentando mais. Desci pelas escadas. Doze andaras e sabe se lá quantos degraus tive que descer e controlando meu coração e sem conseguir segurar no corrimão. Minhas mãos termiam. Enfim cheguei no térreo. Corri para o balcão de entrada e encontrei um lugar para sentar. Sentei e aos poucos fui relaxando. Pedi para o porteiro comprar uma água para mim, ele ainda esboçou um principio de pergunta, mas cortei-o e pedi urgência. Bebi a água como se fosse o mais gelados do liquidos quando se está no deserto. Nunca estive num deserto, mas posso imaginar como é. Ou não posso? Não sei, não tinha tempo para imaginar nada. Queria sair dali, queria melhorar. Saí do prédio e peguei meu ônibus. Ônibus de ar-condicionado. Tudo fechado, todo fechado e cheio. Meu coração voltou a bater mais forte...

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