- Mas com quem?- Logo me vem a pergunta à cabeça.
Faço algumas ligações. Alguns não atendem, outros estão sem dinheiro, uns moram longe e outros vão acordar cedo.
- Vou sair sozinho.- dou um ponto final à minha decisão.
Desço a rua e pego um ônibus. Em 15 minutos estou em uma pracinha lotada de bares e pessoas nas calçadas. Alguns bares com música ao vivo e poucos lugares para sentar.
Õ dificuldade para decidir onde sentar.
Sento-me em um bar com música ao vivo, já que estou sozinho, pelo menos canto as músicas para me distrair um pouco. E no pequeno palco que fica localizado no meio da calçada, toca o violão suave, uma mulher morena de voz grave.
Porque é tão difícil conseguir um garçom nessas horas? Ele passa pela minha mesa umas 10 vezes e apesar de chamá-lo todas as 10 vezes, ele sequer olha pra mim, será que é pelo fato de estar sozinho em uma mesa? Sei lá, vai ver é o grande movimento do bar esta noite. Já tinha desistido de chamar o garçom pra pedir uma cerveja, quando de repente me aparece ele, com uma cerveja e um copo nas mãos. Ele abre a cerveja, despeja em meu copo e me pergunta se desejo mais alguma coisa. Olho para a cerveja, não é a marca que gosto, chego a pensar em pedir pra trocar, mas tenho medo de só conseguir beber minha marca de cerveja predileta quando estiver quase dormindo na mesa.
- Não obrigado. Por enquanto é só.- respondo para o garçom.
Dou o primeiro gole e acendo um cigarro para acompanhar. Observo as pessoas sentadas ao meu redor. Não reconheço um rosto sequer. Sinto-me um estranho naquele lugar. Como se fosse um ET. Nesse momento, me vem a vontade de voltar pra casa, mas resisto, tomo outro gole e torno a encher meu copo. Nesses dias de calor infernal, um copo de cerveja vai embora em apenas dois goles.
A cantora então faz uma pausa em sua cantoria.
- Mas já?- penso sem pensar na possibilidade de ela estar tocando ali pelo menos umas 2 horas direto.
E agora, o que vou fazer? Só me resta tomar mais um copo de cerveja, acender outro cigarro e voltar a observar as pessoas ao meu redor, tentando em vão achar um rosto conhecido. Acho que todos meus conhecidos foram para um churrasco juntos e não me chamaram.
20 minutos e alguns goles mais tarde, a morena volta a cantar e sua primeira música pós-pausa é uma daquela música-tema de suicídio, mas essa música não me toca. Estou bem. Sozinho, confesso, porém, bem comigo e com o mundo.
Ouço meu nome.
- Fulaninho?- Olho para todos os lados e não reconheço ninguém.
Volto a fitar a cantora. De repente um maço vazio de cigarro colide com o meu rosto. Tomo um susto, fico puto e solto:
- Porra! Quem foi o filho da puta?- falo baixo, mas o suficiente para ser ouvido a umas três mesas ao meu redor.
- Filho da puta não, filha da puta!- Era uma amiga minha que não via faz tempo.
Levantei, fui à mesa dela, que estava com mais quatro pessoas. Abracei-a, beijei-a e fico conversando, eu de pé e ela sentada. Ela então teve dó de mim e me convidou para sentar com eles. Paguei a cerveja que tinha pegado e me transferi para mesa dela. Ficamos relembrando os tempos de adolescentes, tempos de descobertas. Tempos de 2º grau. E assim ficamos até umas 4:30. Parecia que só havia nós dois na mesa, no bar e no mundo. Hora de ir embora. Peguei meu ônibus de volta para casa, deitei na cama e apaguei com um sorriso de felicidade que não tinha há muito tempo

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