quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Eleições, povos e pombos

Andava pelas ruas do centro. Havia descido de um ônibus na Av. Pres. Antônio Carlos para pegar um outro ônibus na Av. Chile. Um pequeno percursso, mas estava atrasado. Já eram 15:30 e precisava chegar até às 16:30 em casa. Era dia de votação. O trajeto até minha casa durava cerca de 1 hora. Estava atrasado.
Saí da Av. Pres. Antônio Carlos e peguei a Rua São José. Uma rua de pouco movimento de automóveis nos dias de semana e nenhum nos finais de semana. Só havia pombos. Todas as lojas fechadas e mendigos nas marquises. E pombos, muitos pombos.
Havia algo caído no chão e uma multidão de pombos à volta beliscando algo. Mirei bem no meio da "passaráda" e apertei o passo e adentrei no mafuá. Lembrei das cenas de filmes que se passavam nas praças de alguma capital importante da Europa em que os pombos voavam quando passava alguém por eles. Eu mesmo já havia feito algumas vezes aqui mesmo no centro do Rio. Eu era criança. Lembrei disso e apertei mais ainda o passo na direção dos pombos. No meu primeiro passo na muvuca olhei para cima. Queria admirar o espetáculo aéreo. Nada aconteceu. Parei e olhei para baixo. Os pombos continuavam a comer migalhas de pão deixada por algum carreto de lixo. Bati com o pé no chão e alguns pombos deram saltinhos e nada mais. Continuei a caminhada até meu ponto, mas pensando naquela situação. Resolvi voltar, mas agora eu corria e gritava e batia palmas. E nada. Nada aconteceu outra vez. O que será que aconteceu? O que será que aconteceu com o medo dos pombos? Porque será que os mendigos me olhavam diferente?
Desisti e rumei para casa. Fui votar com a certeza de que algo está mudando. As pessoas e até mesmo os pombos. Não! Os pombos mudaram, as pessoas não! tive a certeza disso na segunda-feira. Nas próximas eleições votem nos pombos.